Lembro exatamente quando assisti pela primeira vez (com 7 anos de idade) Alien: O oitavo passageiro, mesmo sendo muito pequeno e depois de quase 10 anos de seu lançamento , o mundo criado por Ridley Scott e os desenhos de H. R. Giger, me deixaram sem fôlego (e sem sono) com a grandiosidade da criação daquele universo.

18 anos se passaram e a franquia Alien gerou mais 3 filmes, totalizando 4 produções (Alien – O Oitavo Passageiro – 1979, Aliens – O Resgate – 1986, Alien 3 – 1992, Alien 4: A Ressurreição – 1997) que poderiam fechar o ciclo de forma magnífica. Ridley Scott dificilmente conseguiu chegar aos pés da primeira produção, mesmo assim conseguiu convencer no quesito entretenimento.

15 anos se passaram até que Ridley Scott decidiu voltar a sua obra-prima de origem, com uma nova roupagem e um novo propósito, Prometheus (2012), seria a chama da esperança do retorno de todo o universo que conhecemos em Alien. Para alguns deu certo, para outros não, rolou.

Com a promessa de uma trilogia, Prometheus nos mostrou o início de toda a jornada em busca da verdade por trás dos Xenomorphos, seria uma grande aventura acompanhar a Dra. Shaw (Noomi Rapace) em sua busca pelos criadores. Não aconteceu!

Prometheus não agradou ao público (pessoalmente sou alucinado pela produção, amo de paixão), tendo como impulso o sucesso do jogo Alien: Isolation (2014), a 20th Century Fox, decidiu bater o pé e retornar com força total ao mundo proposto por Ridley Scott e H. R. Ginger em 1979. Com isso, mesmo descontente, Scott decidiu mudar a direção da trilogia, saindo de Paradise Lost para Alien: Covenant.

O que podemos esperar de Alien: Covenant? Depende do que você procura!

Alien: Covenant consegue nos levar de forma bem leve para toda a ambientação que vimos nos primeiros filmes da franquia, nele acompanhamos a nave colonizadora Covenant a caminho de um novo planeta, para recolonizar e recomeçar, até encontrarem uma mensagem vindo de um planeta mais próximo. Ao chegarem, tudo acontece. Segue a sinopse:

Viajando pela galáxia, os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local: uma terra sombria que guarda terríveis segredos e tem o sobrevivente David como habitante solitário.

O filme tem um ritmo bem lento para os filmes atuais, isso é um bom sinal para quem assiste, vamos lembrar que todos os filmes dos anos 80 demoram para revelar seu mistério, até aí tudo bem. Porém a romantização exagerada, incomoda bastante, é compreensível o motivo de toda a explicação, entretanto o tempo poderia ser melhor aproveitado. Os acontecimentos que levam a tripulação de Covernant a procurar um novo planeta e desistir do seu seu destino final de origem é plausível, tudo coerente, mas sem grandes atrativos.

Chegando no novo planeta, onde ocorre o encontro com David (Michael Fassbender), o improvável se torna previsível, o ritmo do filme fica mais lento, o deixando um tanto quanto cansativo e  desnecessários, jogando fora inúmeras possibilidades de desenvolvimento real da franquia, Ridley.

O Roteiro

Infelizmente não temos acesso ao roteiro original, apesar de que  Alien: Covenant nitidamente não foi escrito para ser daquela forma. Tudo é muito vago e perdido no tempo e espaço dos acontecimentos, por muitas vezes me senti desorientado no que realmente estava focada aquela cena. Sabe quando você consegue ver o potencial de alguém, entretanto ela ainda não teve a oportunidade de brilhar? Essa é a sensação que tive ao assistir Alien: Covenant. Inúmeras vezes, você repete para si mesmo um bordão que uso sempre quando não entendo algo. Ué?!

A Tecnologia

Sabemos que em 1979, era impossível apresentar tanta tecnologia que temos hoje em dia, Alien: Covernant arrebenta. A riqueza de detalhes e a criação de arte, conseguem mostrar tudo o que queremos ver visualmente quando estamos degustando algo do universo de Alien. Uma beleza fenomenal de se ver: Fotografia, Direção de arte, Designers, Trilha sonora, tecnicamente Alien: Covenant é perfeito, compensando o buraco deixado no roteiro ou na edição final.

O Elenco

Michael Fassbender interpreta Walter e David em Alien: Covenant

Michael Fassbender interpreta Walter e David em Alien: Covenant

Michael Fassbender interpreta Walter e David (Walter é um andróide sintético criado pela Weyland Corporation, que auxilia a tripulação a bordo do Covenant. David era um andróide anterior, menos avançado, anteriormente membro da tripulação da destruída Prometeus) de forma exagerada, talvez um erro de direção, não deixaram a sensibilidade dos personagens chegarem ao seu ápice.

Katherine Waterston é Daniels, uma tentativa de resgatar a essência da tenente Ripley

Katherine Waterston é Daniels, uma tentativa de resgatar a essência da tenente Ripley

Katherine Waterston dá vida a Daniels, está muito longe de ser alguém como Sigourney Weaver quando interpretou Ellen Ripley, mesmo assim, merece elogios pelo desempenho, conseguiu nos deixar aflitos em todos os momentos necessários, passando a fragilidade e impacto de cada momento.

Danny McBride se destaca pela grande atuação como o cowboy espacial Tennessee

Danny McBride se destaca pela grande atuação como o cowboy espacial Tennessee

Danny McBride foi a grande surpresa com o cowboy espacial Tennessee, confesso que fiquei um pouco descrente com o ator, já que ele somente trabalha com comédias “pastelonas”. McBride se superou conseguindo levar parte do filme para si. Em vários momentos nos identificamos com seus conflitos e desafios durante a produção.

Para ser mais prático, Ridley Scott sabe escolher o elenco para suas produções, este não foi diferente, cada um dentro do seu perfil, apresentou uma interpretação digna de Alien, por muitas vezes salvaram o filme.

Vale a pena ou não vale?

Para os fãs de carteirinha da franquia Alien (como este humilde humano que escreve esta crítica), Alien Covenant é obrigatório, cada um irá sentir de forma diferente como os acontecimentos desta produção irá afetar nos próximos filmes (se acontecer).

Já os marinheiros de primeira viagem, Alien: Covenant é um ótimo entretenimento. Um filme diferente dos que estão sendo lançados em massa atualmente, que envolve de forma superficial mais divertida.

Qual foi o problema?

Não posso dizer ao certo o que aconteceu de errado em Alien: Covenant, é visível cansaço de Ridley Scott com a franquia, deixando de lado um mundo tão maravilhoso criado por ele e Ginger. Ainda tenho esperança que tudo irá entrar nos eixos em breve, talvez Ridley Scott deva deixar o legado para alguém mais jovem, com sede e ousadia de abusar deste universo. Alien precisa seguir a essência de seu principal astro, os Xenomorphos. Ser brutal, violento, sorrateiro, grandioso e único.

O elenco conta com Michael Fassbender, Katherine Waterston, James Franco, Danny McBride, Demian Bichir, Jussie Smolett, Amy Seimetz, Carmen Ejogo, Callie Hernandez e Billy Crudup. Ridley Scott assume a direção.

Alien: Covenant chega dia 11 de maio nos cinemas.