Em o Homem nas Trevas (Don’t Breathe), vemos três amigos, em seus 20 e poucos anos (Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto), tendo como atividade principal assaltar casas as quais o pai de um deles faz a segurança. Com bons resultados, um deles resolveu ousar e partir para uma investida mais gananciosa – roubar dinheiro de um velho, cego e ex-militar (Stephen Lang) que recebeu uma indenização milionária por terem matado sua filha.

O homem deficiente visual morava em um bairro fantasma, local totalmente propício para um roubo sem que ninguém soubesse. A ideia parecia simples, fácil e infalível, mas o trio não contava com as trevas no coração do velho, e mais, o ex-militar possuía um cachorro, rottweiller, tão terrível quanto ele.

A direção estava a cargo de Fede Alvarez e ele fez um trabalho interessante, objetivo e visceral. O filme possui um ritmo bem dinâmico e trabalha bem a interação entre os personagens. Por mais que o filme vá numa linha interessante, o roteiro joga alguns conceitos irreais que tiram o público da imersão por alguns momentos.

O filme, de uma maneira errada (e vemos isso bastante ultimamente), se vende como terror, o que definitivamente não é. Em O Homem Nas Trevas, não há nada que o classifique como terror, mas abusa no suspense e deixa o espectador tenso do começo ao fim. Não há grandes atuações, nem cenas memoráveis, mas a atmosfera faz com que você não desgrude o olho da tela.

A história funciona bem no clichê e traz reviravoltas bacanas que surpreendem. Infelizmente não escapamos da estupidez dos personagens em filmes de suspense, ou seja, quando eles estão em apuros, fazem, quase sempre, a escolha mais inadequada, porém isso não é privilégio desse filme, mas sim uma característica do gênero.

Um dos elementos mais importantes para um suspense ter êxito é a trilha sonora, a qual cumpre bem a proposta. Ela consegue te imergir naquele universo e é um dos grandes responsáveis para prender a sua tensão (isso mesmo, tensão), ou seja, o filme consegue, e muito bem, prender a sua atenção fazendo você ficar tenso do começo ao fim.

Sem imaginar o que encontrariam, os três se deparam com um grande combatente e não apenas isso, um homem cheio de dor e distúrbios psicológicos – nas trevas não apenas por estar no escuro, mas por viver uma vida solitária e miserável. Em certos momentos você pensa: não, não tem como isso acontecer, mas realmente acontece e é gratificante, por quebrar certos padrões.

O ex-militar não mede esforços para castigar aqueles que o estavam perturbando e que principalmente estavam tentando roubar seus recursos. Destaque para o cachorro sinistro (que eu apelidei de krypto), que é extremamente veloz, habilidoso, mas nenhum pouco efetivo.

O filme trata levemente de questões ou mensagens simbólicas, mas não deixa de flertar com coisas importantes como a impunidade dos abastados e violência a mulher.

Enfim, o Homem nas trevas é um filme que trabalha bem a sua proposta, sendo simples e objetivo. Ele é bem sucedido em alguns pontos e corajoso por ter um desfecho que não igual a todos, mas ainda escorrega em clichês desnecessários. Não vá ao cinema achando que verá um filme de terror, pois assim irá se decepcionar fortemente.

Não há grandes cenas memoráveis, mas os atores cumprem bem o seu papel, fazendo o feijão com arroz e entregando um bom trabalho. Esse é um longa recomendado para as pessoas que preferem suspense visceral, sem muito lenga lenga, sem muito respiro, sem muita enrolação – é pau quebrando do começo ao fim.

O filme estreia dia 8 de Setembro nos cinemas nacionais.